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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cuidar dos outros

Cuidar dos outros
Muitos de nós a certa altura das nossas vidas já cuidou de um familiar. Fazemos de boa vontade porque é um nosso familiar, alguém que nos é querido, temos essa responsabilidade, temos essa divida no caso dos nossos pais, por exemplo. Mas também todos nós que passamos por esta experiência sabemos como é doloroso, não só pela situação de ter o nosso ente querido doente como com o prolongar do tempo e se estamos sozinhos começamos a sentir-nos cansados e até cresce em alguns de nós sentimentos de revolta, frustração e sentimo-nos culpados por isso. Hoje publico uma parte de um artigo que li na revista Teste Saúde e espero poder ajudar quem cuida de outros.

Mulheres com 85 anos a prestar assistência
A maioria dos cuidadores são mulheres, em grande parte filhas, mães ou cônjuges. Segundo um estudo britânico, um número significativo tem 85 anos ou mais. Metade dedica, em média, 50 horas semanais à tarefa.
Os cuidadores de meia-idade, além de tomarem conta de um dependente, têm outras responsabilidades familiares e, por vezes, filhos ou netos a cargo. (…)
Muitos torna-se cuidadores por falta de alternativa ou por obrigação moral, revela uma investigação portuguesa com famílias do Porto e Braga. Há quem não dispense a tarefa, por se julgar melhor solução ou por afecto.
A exigência do apoio aumenta com o grau de dependência e inclui apoio ao nível da higiene, alimentação, limpeza da casa e tratamento de roupas. Pequenos testes médicos, como medir a glicose e dar medicamentos são outras responsabilidades. Em muitos casos, a pessoa não consegue vestir-se ou ir à casa de banho sozinha, o que exige um grande esforço físico a quem trata.

Ninguém está preparado para tratar de um dependente. A maioria dos cuidadores avalia a sua saúde como fraca. (…)
Cuidar de alguém dependente exige tempo, que é roubado a outros afazeres. Estes indivíduos participam menos em actividades sociais, têm conflitos laborais e profissionais. (…)
Todos os cuidadores dispõem de pouco tempo para si, sentem-se isolados e, em muitos casos, ansiosos ou deprimidos. (…) A questão é mais grave entre os que têm de renunciar ao trabalho ou reduzir o horário. Alguns são obrigados a fazer obras para adaptar a casa, o que em geral, implica gastos elevados.
De inicio, o cuidador sente que o seu trabalho é gratificante. (…) Mas com o decorrer do tempo, instala-se o cansaço físico e mental. Surge a revolta, sobretudo quando não tem o apoio da restante família. A balança acaba por pender para os sinais de stress. Se não os reconhecer e enfrentar, podem evoluir para a depressão.
Com ou sem sinais de desgaste, peça ajuda a familiares ou amigos para cuidar da pessoa dependente, mesmo que seja 1 ou 2 horas por dia e saia de casa. (…)
Dê um passeio, quando possível na companhia de um amigo para conversar e desabafar.
Não se sinta culpado por deixar o seu familiar por um período.
Faça uma pausa, mesmo que seja curta. (…)
Procure praticar uma actividade física e seguir uma alimentação equilibrada (…)
Incentive o seu familiar a desempenhar as tarefas que ainda conseguir. Quanto mais tempo mantiver certas funções, melhor será a qualidade de vida de ambos.
Tente levá-lo à rua e promova a interacção com familiares e amigos.
Caso se sinta desgastado, sem forças e não melhore com as medidas referidas, fale com o seu médico: pode precisar de tratamento com medicamentos, apoio psicológico ou outro.

Saber mais:
 Revista Teste Saúde – 89/Fevereiro/Março – 2011  DECO/Proteste

 Gracinda Silva
  29/04/2011

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