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terça-feira, 28 de junho de 2011

Risco de problemas cardíacos em 900 mil doentes do sono

A apneia do sono provoca problemas cardiovasculares em 50% a 60% dos doentes. Mas os problemas cardíacos também se ligam aos respiratórios


A apneia do sono afecta cerca de um milhão de portugueses. Este problema, associado a interrupções da respiração e aos roncos típicos de quem ressona, só é tratado em 10% dos casos, o que coloca perto de 900 mil portugueses em risco de desenvolver problemas cardiovasculares ou, em última instância, em risco de morte. Este é o melhor exemplo de que o coração e o pulmão estão longe de ser órgãos desconhecidos, mas sim amigos. O tema será hoje debatido durante o Congresso Português de Cardiologia.

De acordo com Cristina Bárbara, pneumologista do Hospital Pulido Valente, é recente a certeza de que os dois órgãos não são meros estranhos: "Tratando um problema cardíaco conseguimos controlar o respiratório, como a apneia. O mesmo acontece quando um doente é apneico. Se for controlado, consegue evitar-se problemas cardiovasculares", avança.

A apneia do sono (ver caixa) afecta 10% da população, mas pode "atingir os 25% nas faixas etárias mais avançadas. É mesmo muito frequente". Este problema respiratório é uma grande causa de outras disfunções como a hipertensão arterial, quando não é tratado de forma atempada. "As paragens respiratórias episódicas levam à estimulação do sistema nervoso simpático", que reage às paragens aumentando a tensão arterial e que leva à constrição de vasos, bem como ao aumento dos batimentos cardíacos.

As causas ainda estão por explicar, "mas pensa-se que a obesidade seja uma delas, o que explica que este problema tenha tendência para aumentar", acrescenta a médica.

As consequências da perturbação podem ser dramáticas. "Sabemos que 50% a 60% das pessoas com apneia acabam por ter uma complicação cardiovascular, como angina, arritmia ou enfarte, que podem originar morte súbita. Estes doentes também têm frequentemente acidentes de viação." Os números verificam-se no serviço de Cristina Bárbara, no Pulido Valente. "Temos cerca de 2000 doentes por ano e, destes, 1200 acabam por ter complicações cardiovasculares", conta.

Artido do Diário de Notícias escrito por DIANA MENDES em 10 de Abril 2010
Catarina Patrocínio.

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