terça-feira, 14 de junho de 2011

Ligações Perigosas

UMA MULHER DE 70 ANOS deu entrada no hospital com múltiplas hemorragias internas. Um chá de camomila e uma loção de corpo à base da mesma planta que a senhora usou enquanto fazia um tratamento com varfarina foi o suficiente para aumentar o efeito anticoagulante do fármaco e levá-la às urgências.


Da próxima vez que tomar um analgésico preste bem atenção ao que ingere a seguir. A combinação do comprimido com certos alimentos pode ser fatal.
Esta é apenas um dos muitos casos que ocorrem quando as pessoas combinam a toma de certos medicamentos com produtos aparentemente inofensivos, como alimentos e plantas medicinais, sob a forma de chás, cosméticos ou suplementos vitamínicos.
Para evitar que situações destas continuem a acontecer, a Universidade de Coimbra acaba de criar o primeiro Observatório de Interacções Planta - Medicamento. Uma das principais funções do observatório é criar uma base de dados de interacções entre plantas e medicamentos, centrada na realidade portuguesa.
Está em permanente actualização mas os primeiros resultados já estão disponíveis em w.w.w.uc.pt/ffuc/oipm. Assim, tanto os profissionais de saúde como os cidadãos podem estar informados. Estão também a criar uma linha verde para que qualquer pessoa possa reportar eventuais efeitos de interacções. Desta forma, além de produzirem novo conhecimento podem dirigir a investigação através destes testemunhos.
      “O MECANISMO DE INTERRACÇÂO ENZIMÀTICA QUE OCORRE ENTRE OS MEDICAMENTOS E AS BEBIDAS ALCOÒLICAS É SIMILAR AO QUE ACONTECE COM MUITOS OUTROS EXTRATOS NATURAIS” 
As interacções podem causar danos na saúde, muitas vezes de difícil resolução, uma vez que as pessoas não atribuem esses efeitos nefastos aos produtos de origem natural que consumiram, iludidos de que estes não lhes poderiam fazer mal. É preciso ter a noção de que todas as substâncias que têm efeito terapêutico no nosso organismo têm também toxidade e quanto mais activos mais tóxicos são. Os maiores  
Devemos sempre ponderar e não usar medicação conjunta. Este cuidado é importante mas não basta. A adição de determinados alimentos em doses que, por vezes, nem precisam ser muito elevadas pode alterar a biodisponibilidade dos medicamentos. Para além disso, as pessoas juntam ainda chás e o consumo de outras plantas medicinais, em várias formas, o que complica bastante a gestão de todos estes constituintes químicos no organismo.

AS PRINCIPAIS INTERACÇÕES JÀ CONHECIDAS
·         O sumo de toranja interfere com vários medicamentos utilizados no tratamento do cancro.
·         O chá de hipericão interage com a pílula anticonceptiva, podendo anular o seu efeito.
·         A  camomila, a soja, o ginkgo, entre outros interage com a varfarina (anticoagulante).
·         O chocolate interage com os inibidores da monoamina oxidase presente em medicamentos antidepressivos.
·         O ginseng interage, entre outros, com o ibuprofeno.
·         Os alimentos ricos em vitamina k ( bróculos, espinafres ) contrariam o efeito dos medicamentos anticoagulantes.
·          
Teresa Castanheira

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mensagem para todas as idades

Sábado, dia 11 de Junho vai haver um Workshop no Jardim da Estrela.
Este evento tem como objectivo o entretenimento para todo o público presente bem como algumas sugestões interessantes sobre a melhor forma de ultrapassar momentos de solidão, promover a actividade física ,relembrar a importância da socialização, ter atenção aos acidentes dentro e fora de casa,promover o intercambio das experiências de vida de cada um e até a importância de uma simples caminhada diária.
Venham todos, afinal os jovens de hoje são também os idosos de amanhã!

Até sábado.
Conto convosco
Vamos todos promover esta Licenciatura magnifica que é a Gerontologia!!!!!

Cristina Braz

Up – Altamente



Up-Altamente, é um filme de animação que estreou no ano de 2009. Este filme retrata assuntos bastante sérios, do ponto de vista social.
A velhice, a morte, a mudança, o medo, a solidão e, também, os sonhos deixados para trás, são exemplos de alguns dos temas retratados neste filme.
É um filme que nos deixa a pensar, sobretudo na velhice, algo que é temido por um grande número de pessoas. Contudo, também dá a conhecer o lado mais suave e divertido, ou seja, que podemos aproveitar a vida mesmo quando parece ser tarde de mais para o fazermos.

Deolinda

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os segredos da longevidade: Como envelhecer

Na ilha de Okinawa, local baptizado como a “região da longevidade”, como o caso de uma senhora com cento e quinze anos, baseia-se sobretudo na vida com felicidade.
Factores relacionados com certos e determinados hábitos praticados no local, como alimentarem-se em doses reduzidas e devagar, saboreando os alimentos parando antes de se sentirem demasiado cheios, promovem uma longevidade saudável e activa socialmente.
As pessoas praticam uma dieta equilibrada, nomeadamente por peixe, soja, algas ricas em cálcio, muito arroz e chá verde. 
Evitam os doces e o sal ou pura e simplesmente abdicam deles.
Um dos segredos dos japoneses está nos alimentos que consomem. 
Os hábitos alimentares dos japoneses combinados com seu estilo de vida, garante-lhes uma vida longe de doenças. 
A felicidade de cada um deles ao atingir idades longas, convivendo com os demais, apostando na sociabilidade, estimulam e criam hábitos de vida com harmonia, de equilíbrio com o que os rodeia.
Com isto, surgem elevadas consciências espirituais, tais como a oração, a meditação e a atenção ao presente.

Linda Brito, 1º ano

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Esta minha mensagem hoje é para lembrar todos para não faltarem ao nosso evento de dia 11 ás 15 horas no Jardim da Estrela.

"Sete Passos para um Envelhecimento Mais Feliz"

Como diz Guardini:

"Tudo depende , e muito, de como se entende o que significa uma pessoa de idade, tanto a nível sociológico como cultural. É preciso ter uma visão de conjunto..."

Vamos divulgar a gerontologia social

sábado, 4 de junho de 2011

Idosos e redes sociais

16.850 usuários de Internet acima de 60 anos falam sobre as suas atividades favoritas na web
De acordo com o levantamento do uso de internet realizado pela empresa Panda Security, 90% dos usuários da internet acima dos 60 anos são homens e gastam mais de cinco horas por semana on-line. Destes usuários, 98% utilizam a rede para checar os e-mails, 67% ficam a procura de informações sobre atividades de lazer, 64% leem notícias e 58% usam serviços de bancos on-line.
O estudo, realizado entre Novembro e Dezembro de 2010, entrevistou 16.850 usuários de Internet acima de 60 anos sobre as suas atividades favoritas na web, além dos problemas que eles enfrentam para se adaptar a este novo ambiente digital.

O uso de redes sociais ou a participação ativa em fóruns ou blogs não estão entre as atividades favoritas dos idosos. Para se comunicar com os amigos, apenas 28% utilizam sites de redes sociais e 11% fóruns ou blogs.


Fonte: Jornal Folha de S. Paulo, em 24/2/2011. Disponível em:http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=660053

João Gaspar

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O Idoso e a solidão


Quase 40 por cento dos portugueses a partir dos 65 anos passam oito ou mais horas dos seus dias sozinhos.



E veio a saber-se também que uma considerável percentagem de idosos internados em hospitais, depois de puderem ter alta não são “reclamados” pelos seus familiares, os quais, por vezes, até indicam naquelas unidades hospitalares  residências falsas.


E os idosos para ali ficam abandonados por aqueles que pudiam   acolhê-los


Por outro lado, há ainda os idosos que se vêem sozinhos nas suas casas ou andares – quantas vezes em péssimas condições! – não sendo visitados ou acompanhados pelos filhos, netos ou outros familiares.


 Alguns vivem com poucos recursos económicos, mas o que mais lhes custa é, sem dúvida, a solidão e o desprezo a que são votados!
Nalguns lugares as Misericórdias vão tendo já serviços de apoio domiciliário, o que é de aplaudir. Porém, tais serviços não chegam a todas as partes.


Há aldeias recônditas, quase despovoadas ou onde apenas permanecem poucas pessoas de muita idade sem qualquer espécie de acompanhamento, a contas com a sua solidão, recordando talvez um passado em que se deram aos filhos que, agora, com muita ingratidão desapareceram das suas vidas!


Alguns dos idosos que foram postos num lar nem sequer são visitados pelos seus familiares e ali, tristemente, aguardam o fim das suas vidas!


Há, na verdade, que logo nas escolas se dê mais importância e se realce o valor dos idosos, até como património de experiência que é preciso reconhecer e como fonte de amor e união nas famílias.



                                                           Luiza Oliveira

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O IDOSO E A CRIANÇA

A fantasia é a mãe da satisfação, do humor, da arte de viver. Apenas floresce alicerçada num íntimo entendimento entre o ser humano e aquilo que objectivamente o rodeia.”
 Hermann Hesse, in 'Ainda da Felicidade'

Todos sabemos que, com o aumento do período médio de vida, a sociedade está a mudar. Muito se tem escrito sobre este tema, no entanto dado hoje (1/7) se comemorar o dia mundial da criança, quero deixar uma pequena reflexão, sobre a formação da identidade da criança e o papel do idoso na construção desta identidade.

A criança vive hoje num mundo de fantasia, desde cedo que pais e avós se preocupam por satisfazer todos os seus desejos. Se por um lado queremos crianças felizes, por outro vamos querer adultos e mais tarde idosos que denotem na relação com o grupo onde estão inseridos socialmente, um certo equilíbrio. Que, em meu entender, será mais facilmente alcançado se as relações familiares forem fortalecidas com os testemunhos, ensinamentos e valores partilhados dos mais velhos.
Assim, o papel do idoso no desenvolvimento da personalidade da criança será de extrema importância, já que é um ser experiente, cheio de sabedoria e amor-próprio.

Por tal, pretendo felicitar todos aqueles que possam partilhar conhecimentos e valores com uma criança no dia de hoje.

Fonte: foto-pt.photaki.com

Maria Antónia Calvo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Bébé e o Idoso

Se avaliássemos a vida como sendo apenas um fato que acontece exclusivamente no tempo e num espaço delimitado, admitiríamos que o bebê representaria o começo, o alfa, e o idoso, o fim, o ômega. Funestamente, este é o conceito de vida sustentado pela moderna sociedade. É o reflexo da filosofia pragmatista de William James, segundo a qual, só tem valor o que é prático e imediato. Esta filosofia é irmã gêmea do marxismo, do nazismo e de outros ismos que medraram nos começos do século vinte, todas materialistas e ateias que conspiraram para produzir os estragos que fazem da sociedade contemporânea uma caricatura, uma representação burlesca das pessoas e dos fatos. Tudo o que não desperta interesse imediato, simplesmente, não existe. Ora, o idoso não interessa, logo, não deve ser levado a sério nem tido em conta. Eis porque o tão celebrado progresso de uma avançadíssima tecnologia se limita tão somente ao âmbito da matéria. Espiritual e moralmente o homem não progride, antes regride. Dentro deste conceito, do concreto e do imediato, só existe a matéria. É assim que a sociedade vai elaborando seu comportamento diferenciado entre o bebê e o idoso.

Aos bebês trocam-se as fraldas, dá-se um banho morno e perfumado, aplica-se a pomada e o talco antialérgicos, tolera-se com paciência e naturalidade, seu choro, suas birras, enfim, é cercado de todos os cuidados e de todo o carinho. O bebê tem mãe, o idoso tem madrasta, e que madrasta!.... E porque isto? Porque, na concepção pragmatista, imediata, utilitarística da vida o bebê representa para os pais e para a sociedade, uma aurora, uma esperança de que ele poderá vir a ser algo de imediatamente útil. Com o idoso dá-se exatamente o contrário. Apesar de ser ele, pelo decréscimo do vigor de seu organismo que o assemelha ao bebê, nem de longe recebe os mesmos cuidados a ele dispensados, antes, é visto e tido como um ser inútil, incômodo, um estorvo. Porque, surge de novo a indagação? É porque o idosos não é tido como uma esperança, como uma promessa imediata de utilidade, como uma aurora e, sim, como um desmaiado ocaso. Ninguém enxerga nele uma obra realizada, um celeiro de experiências, uma semeadura que cai no solo fértil da eternidade para irromper numa vida definitiva. Se for verdade que o bebê é o começo da vida no tempo, não é menos verdade que o idoso é o início da vida para a eternidade. A vida é um episódio, no qual se decide uma plenitude definitiva. O idoso é a plenitude da vida no tempo. Não é, pois, justo que se estabeleça uma distinção entre o começo da vida e vida plena. Ambas têm o mesmo valor e merecem os mesmos cuidados.

A sociedade tem o vezo de medir a vida útil no tempo pelo número de anos que cada um tem. Nada de mais incoerente do que esta postura. Se este critério fosse válido, então o idoso teria muito mais vida do que o bebê, o que, epistemologicamente, repugna. O conceito de vida pode ser das mais variadas inspirações, como a fatalista, a utilitarística, a pragmatista, a altruísta, etc. No fundo, porém, todos se reduzem a duas categorias fundamentais: aquelas cujos horizontes se limitam ao tempo e ao espaço e as que se norteiam por valores transcendentais.

A verdade é que o jovem tem que se acostumar a ver hoje no idoso, aquele que ele será amanhã. Então, colherá o que plantou e será medido com a medida com que mediu. Entenderá quiçás, tarde demais, o quanto é perversa a filosofia do momentaneamente mais útil.

O bebê é o botão, o idoso, a flor da mesma realidade vital. Cumpre-nos cuidar de um e do outro com o mesmo zelo, com o mesmo senso de igualdade e de justiça. Cuidar do botão para que desabroche em flor e da flor para que não murche e se desmanche em pétalas. Que perdure, ao menos, o perfume de suas obras para diluir o mau hálito da ingratidão dos pragmatistas. Na verdade, o botão e a flor são uma e a mesma realidade vista sob o ângulo da vida. Logo, assim com festejamos a valorizamos o botão como sendo a esperança, a promessa, é dever nosso cultivar a flor como resposta ao sonho. Todo idoso deve ser amparado, assistido nas dores do parto da velhice do qual nasce uma juventude eterna. Assim, a morte tem que ser festejada como se festeja o nascimento porque, na realidade, ela não é o fim, mas o começo de uma nova vida, desta feita, definitiva. Ao idoso temos que trocar-lhe a fralda de seu corpo perecível para envolvê-lo com a túnica da juventude eterna do espírito. Vamos colocar em sua cabeça uma coroa de louros e faze-lo subir ao podium da vida como um vencedor, um realizador da esperança, da promessa que um dia ele foi, mas hoje se transforma em realidade. No dizer do livro dos Provérbios (16,31) a velhice é a coroa de uma vida vivida com dignidade nos caminhos da justiça. São Paulo comemora esta realidade desabafando-se com seu discípulo Timóteo (4.7) “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, Justo Juiz, me entregará naquele dia”. É isto o que interessa receber do Justo Juiz a coroa da justiça, coroa esta que é negada ao idoso pela injustiça dos cultuadores da matéria. Que fiquem por aí os pragmatistas à espera da coroa da injustiça que lhe será conferida pelas obras de uma vida vazia de sentido. Esta coroa será aquela pá de cal que, piedosa e solidariamente, irão lançar sobre seus restos mortais. Para eles será o fim de tudo. A sepultura do idoso, ao invés, será o berço onde depositarão um recém-nascido, filho não mais do homem temporal, mas do homem eterno.

José Cândido de Castro
Fonte: http://profcastroudia.vilabol.uol.com.br/paginas/bebe_idoso.htm

Natália Fonseca

domingo, 29 de maio de 2011

Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia

CAPÍTULO III

IGUALDADE

Artigo 20º
Igualdade perante a lei

Todas as pessoas são iguais perante a lei.

Artigo 21º
Não discriminação

1. É proibida a discriminação em razão, designadamente, do sexo, raça, cor ou origem étnica ou social, características genéticas, língua, religião ou convicções, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria nacional, riqueza, nascimento, deficiência, idade ou orientação sexual.
2. No âmbito de aplicação do Tratado que institui a Comunidade Europeia e do Tratado da União Europeia, e sem prejuízo das disposições especiais destes Tratados, é proibida toda a discriminação em razão da nacionalidade.

Artigo 25º
Direitos das pessoas idosas

A União reconhece e respeita o direito das pessoas idosas a uma existência condigna e independente e à sua participação na vida social e cultural.
http://europa.eu/legislation_summaries/employment_and_social_policy/antidiscrimination_relations_with_civil_societ 30/05/2011

É importante como Cidadãos Europeus, conhecermos a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
Estes, são apenas três dos vários Artigos que aconselho a ler.

Paula Arsénio

sexta-feira, 27 de maio de 2011

violencia nos idosos

Violência contra os idosos de Maria José Ferros Hespanha

O aumento da esperança de vida tem vindo a criar situações em que os filhos e os outros familiares directos dos grandes idosos, também já são idosos, muitas vezes também estes já estão a precisar de apoio e não estão em condições de cuidar de outras pessoas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) teme que o aumento do número de idosos no mundo agrave as situações de violência relacionadas principalmente com a ruptura de laços tradicionais entre gerações e com o enfraquecimento dos sistemas de protecção social.

Prevê-se que o número de pessoas com mais de 60 anos duplique até 2025, passando de 542 milhões em 1995 para 1 200 milhões nessa data, dos quais 850 milhões em países em desenvolvimento onde a preocupação fundamental é com a força trabalho activa e não com a força de trabalho já consumida, como é o caso dos idosos.

Segundo a OMS, apenas 30% dos idosos do mundo inteiro estão actualmente a receber pensões de reforma ou subsídios de velhice e invalidez, o que torna muito precárias as suas condições de existência e os expõe a riscos acrescidos de violência; uma violência que tanto pode ser exercida em ambiente familiar como institucional ou social.


A violência na família pode ter diversas causas e assumir um carácter mais ou menos explícito. Assim, ela pode ser motivada pela apropriação, não desejada, dos bens do idoso pelos seus familiares, levando a uma perda de autonomia e de poder do idoso; pela desresponsabilização dos familiares pelos cuidados de sobrevivência do idoso, deixando este abandonado; ou pela reversão das funções de autoridade dentro da família, passando o idoso a ser comandado por alguém de uma geração mais nova a quem terá de obedecer. Trata-se, em geral, de manifestações de uma violência mais simbólica e psicológica do que física, mas nem por isso menos marcante e efectiva.


Nas instituições a violência torna-se, muitas vezes, mais aparente devido ao maior distanciamento afectivo, à impessoalidade dos cuidados e a um regime disciplinar demasiado apertado e rígido. A situação agrava-se sempre que as instituições sofrem de falta de recursos – o que parece ser a regra -, e não conseguem satisfazer as necessidades dos idosos que elas acolhem. O reflexo da falta de recursos evidencia-se na impreparação e na falta de estímulo das pessoas que nelas prestam os cuidados aos idosos e na própria baixa qualidade dos serviços prestados. Daí a imagem negativa que muitos idosos têm das instituições e a violência que representa, nesses casos, a falta de alternativas à sua institucionalização.


De uma forma geral a sociedade tolera - e, por isso, torna-se cúmplice - do abandono, da falta de respeito e da degradação da condição social dos idosos, contribuindo assim para a difusão de uma cultura de violência (decerto camuflada) contra aqueles que não se integram nos novos padrões sociais de beleza, dinheiro e consumo. A comunicação social, designadamente a televisão tão apreciada pelos idosos, cumpre um papel fundamental no exacerbamento destes valores: nos anúncios raramente aparecem idosos, os bens de consumo anunciados raramente lhes são acessíveis e a toda a hora são enfatizados os valores da juventude.


A marginalização dos idosos e a violência simbólica que contra eles é exercida operam através de processos complexos e nem sempre visíveis. Um desses processos é de natureza comunicacional. Sabe-se como, com o passar dos anos, as pessoas vão adquirindo competências culturais, linguísticas, verbais e gestuais profundamente radicadas nos contextos sociais em que a sua vida se desenrola — família, trabalho, comunidade, lazer — e assumindo diferentes modos de se exprimirem. Ignorar estes factos ou exigir que os idosos se comportem e comuniquem de acordo com os modelos actualizados é uma forma de exercício de violência simbólica, que muitas vezes dificulta as relações inter-geracionais e conduz à exclusão dos idosos da vida familiar e social.


Perante um idoso, é forçoso ter sempre presente que se trata de uma pessoa diminuída nas suas capacidades de reacção e adaptação ao meio e às agressões da vida: as suas reacções são mais lentas e os reequilíbrios do organismo precisam de mais tempo para se recuperarem, ao mesmo tempo que se começam a desvanecer os ideais de juventude, vive-se o dia a dia com desânimo e deixa-se instalar facilmente a rotina.


O processo natural do envelhecimento também favorece a marginalização, mas é importante reconhecer que não foi sempre assim. No passado, o envelhecimento era valorizado pela sabedoria de vida que traz associada. Em geral, os idosos convivem com uma sensação desconfortável de “perda” e de “luto” numa sucessão demasiado rápida, que significa também a proximidade do seu próprio fim (Stevenson, 1989). Qualquer que seja, porém, a importância do fenómeno biológico do envelhecimento, o que importa acentuar aqui é que, na grande maioria dos casos, as diferenças notórias com que deparamos entre pessoas da mesma idade se devem sobretudo a factores externos, de ordem social, que foram actuando ao longo do tempo (como o regime alimentar, a natureza do trabalho, a instrução, a vida familiar e profissional, as condições de habitação). É assim que, na mesma população, alguns indivíduos têm o seu processo de envelhecimento acelerado, pelo sobreconsumo do seu próprio corpo, enquanto que outros puderam defender-se, preservando a sua saúde e, retardando, deste modo, o seu envelhecimento.


Como se referiu, esta desvalorização social dos idosos contrasta com a riqueza de conhecimentos e de experiências que eles foram acumulando ao longo da sua vida. Só que este conhecimento e esta experiência que se aprende fazendo e se transmite porque se sabe, dificilmente consegue competir com o conhecimento adquirido pela formação escolar quando se trata de dar resposta às necessidades profissionais e à procura do mercado de trabalho.

Os idosos são, em geral, bons contadores de histórias e gostam de falar do passado e de contar em pormenor as suas vivências; mesmo tendo um ritmo de vida mais lento, gostam de encontrar interlocutores atentos para partilhar as suas experiências. Contudo, nas sociedades industrializadas a maioria das pessoas em idade activa trabalham fora de casa e lutam para sobreviver, restando-lhes, assim, pouco tempo para se dedicarem aos idosos. Por isso, muitos idosos se queixam da solidão em que são deixados durante o dia e lamentam o pouco convívio que têm com os filhos e netos, não sendo raro dizerem ter tanto para ensinar e ninguém para lhes dar ouvidos.


O ritmo de vida e as regras de conduta impostas pelas sociedades contemporâneas representam um outro factor de marginalização e de exercício de violência simbólica sobre os idosos. Estes têm de respeitar as restrições e as proibições que permitem viver nestas sociedades. Esta nova disciplina tanto opera no seio das famílias, como nas instituições e na sociedade em geral deixando um rasto de constrangimentos e de violência bem visíveis. Não cremos ser fácil mudar essa tendência, inverter o sentido da evolução social. No entanto, o reconhecimento desta realidade torna-se muito importante para melhorar a auto-estima dos idosos. Assim, pequenas mudanças de atitude, como por exemplo substituir a expressão “não faça isto” por “passe a fazer antes isto”, ou “passe a fazer desta forma porque se vai sentir melhor" marcam a diferença. O mesmo com a tendência para se infantilizarem os idosos - por exemplo, utilizando muitos diminutivos na comunicação com eles – o que lhes diminui importância e os torna menos confiantes em si próprios.

Como estes existem muitos mais exemplos do que se pode fazer e do que se deve evitar. Retenhamos alguns.

Com o passar dos anos a capacidade auditiva dos idosos também diminui e se não estivermos atentos a isso eles facilmente são excluídos dos espaços de convívio, por isso aumentar um pouco o som da televisão e da radio, ter o cuidado de falar um pouco mais alto e de frente para a pessoa facultando-lhe além do som a mímica facial, pode funcionar como um meio de inclusão nos espaços de convívio. O mesmo se passa em relação à visão que também vai diminuindo, por isso os idosos devem estar em espaços bem iluminados e com uma relação de proximidade com as coisas que querem observar, quando isto não acontece podem desmotivar-se e começar a preferir estar em locais pouco iluminados onde pensam passar despercebidos.

O ritmo do sono também se modifica com o avançar dos anos, os idosos gostam de se deitar cedo e como não necessitam de dormir muitas horas também acordam muito cedo. É importante que as pessoas que convivem com eles não achem este facto estranho não estabeleçam comparação com as outras pessoas da casa e não se mostrem incomodados com isso, pelo contrário, devem entusiasmá-los para que se levantem quando já não querem dormir mais, comecem a sua higiene diária, tomem a primeira refeição da manhã e comecem a desempenhar algumas tarefas. Frequentemente os idosos se queixam de que passam muito tempo na cama acordados e a pensar na triste vida que têm.

Os idosos com o avançar da idade começam a apresentar queixas físicas, são em geral consumidores de vários medicamentos em simultâneo e precisam frequentemente de ser ajudados para não errarem a forma como os medicamentos devem ser administrados. Não podemos esquecer que eles eliminam as drogas com mais lentidão do que os adultos e estão muitas vezes sujeitos a intoxicações medicamentosas.


O que se pode retirar destas situações, é que deve ser dada maior atenção às condições e aos contextos em que se gere violência e assumir a defesa dos idosos, com base numa solidariedade inter-geracional consciente e sem reservas.

Rita Fernandes

quinta-feira, 26 de maio de 2011

COMBATE AO ISOLAMENTO: A IMPORTÂNCIA DAS REDES FAMILIARES


As redes familiares são de uma importância fundamental no combate ao isolamento do indivíduo durante todo o seu ciclo de vida, assumindo um papel ainda mais relevante na última fase. À medida que vamos envelhecendo ficamos tendencialmente mais frágeis e vulneráveis. O sentimento de solidão está sobretudo ligado à falta de objectivos. Os objectivos são a base, não apenas para a satisfação de vida, mas para a manutenção do sentido para a vida.
Segundo Pais (2007) a solidão sente-se porque existe a necessidade do outro. A perda dos entes queridos, real ou por ruptura de relações, pode provocar não só sentimentos de solidão como perda de sentido para a vida.
Receber suporte familiar e social é considerado o melhor indicador de bem-estar global e qualidade de vida. Bem-estar e qualidade de vida são duas dimensões interdependentes, considerando-se que o conceito de qualidade de vida, para além de abranger o bem-estar pessoal, engloba também aspectos mais concretos e objectivos tais como os biomédicos, sociais e espirituais (saúde, condições ambientais e económicas, lazer, espiritualidade…).
As redes familiares são fundamentais para a qualidade de vida da pessoa idosa. Tomando como referência o meu contexto profissional (trabalho numa residência /centro de dia de idosos) constato que a saúde e as relações afectivas constituem os aspectos mais determinantes para a sua satisfação e para o seu bem-estar. Transcrevo alguns testemunhos de idosos que frequentam o centro de dia e também alguns residentes de lar que são bem elucidativos dessa importância:

“Se eu pudesse pedir um desejo…”
  • Pedia saúde para mim, para filhos e netos e também para as minhas irmãs.
  • Pedia bem-estar no mundo, confiar em Deus e ter os filhos com saúde.
  • Pedia uma velhice feliz com os filhos ao pé de mim.
  • Pedia para ter a companhia dos filhos.
  • Pedia para viver muito tempo acompanhado e que o meu filho e a família se desse bem comigo.
“Para mim isolamento/solidão é…”
  • Solidão é estar sozinho e não ter quem nos acuda mas quando os filhos estão em casa e não nos falam essa é a pior solidão
  • Solidão é triste mas não sinto muito porque a minha filha fala comigo todos os dias e ela e as netas vem ao fim de semana. Sinto mais solidão à noite.
  • É morrer à porta fechada e não ter quem nos ajude. É triste!
  • É viver sozinho sem ter o carinho dos filhos. O que me vale é a televisão e os amigos.
  • Sinto-me muito sozinho. Se não fosse a televisão morria de solidão… Sem a televisão há muito pensamento…
“No combate à solidão a família pode ajudar…”:
  • O mais importante é conversar no dia-a-dia e socorrer quando estou doente.
  • Telefonar no dia dos anos e noutras datas importantes…
  • É importante quando a família dá um incentivo, um conforto.
  • É importante quando a família se preocupa connosco.
  • Passar para dar um beijinho. Sinto-me feliz quando o meu filho vem para me dar um beijinho…

Teresa Castanheira